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terça-feira, 25 de agosto de 2009

NO MOINHO - Eça de Queirós UEPA FASE II



NO MOINHO

video produzido por alunos do PROF. GIL MATTOS - II ANO DO COLEGIO DESTAK - CAPANEMA




NO MOINHO
EÇA DE QUEIROS
Paixão e realismo se misturam e enriquecem os contos de Eça de Queiroz.
O autor desenha tristezas, amores frustrados, dramas morais de todo tipo.
No conto “No Moinho” o problema é relativo à construção da protagonista.
A falta de coerência marca a trajetória que vai da “senhora modelo”, que vive para cuidar do marido inválido e dos filhos doentes, à mulher promíscua, que pensa em apressar a morte do marido e deixa os filhos sujos e sem comida até tarde.
Toda esta transformação de caráter provocada pelo simples beijo de um primo e dos valores que ele repassa.
Apesar da variedade temática, pode-se perceber no conto de Eça uma grande preocupação com as dores humanas.
Seus personagens são em geral tristes, alguns céticos, outros ingênuos, mas sempre atormentados. A postura de crítica , ironia e pessimismo definem o valor social e humano.
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PONTOS IMPORTANTES NO TEXTO

MARIA DA PIEDADE

É-nos apresentada a história de D. Maria da Piedade, uma senhora considerada por toda a vila onde vive como “uma senhora modelo” e de uma beleza fora do normal. O texto a descreve com valores de idealização , colocando-a dentro dos preceitos românticos de beleza.

“ A vila tinha quase orgulho na sua beleza delicada e tocante; era uma loura, de perfil fino, a pele ebúrnea e os olhos escuros de um tom de violeta, a que as pestanas longas escureciam mais o brilho sombrio e doce.”

O CASAMENTO POR INTERESSE

É casada com João Coutinho, que é rico, mas muito doente e os seus 3 filhos também são doentes. É a típica mulher, que casou não por amor, mas para fugir ao mau ambiente que havia em casa dos pais.

“Mesmo em solteira, em casa dos pais, a sua existência fora triste. A mãe era uma criatura desagradável e azeda; o pai, que se empenhara pelas tavernas e pelas batotas, já velho, sempre bêbedo, os dias que aparecia em casa passava-os à lareira, num silêncio sombrio, cachimbando e escarrando para as cinzas.”

“E quando João Coutinho pediu Maria em casamento, apesar de doente já, ela aceitou, sem hesitação, quase com reconhecimento, para salvar o casebre da penhora, não ouvir mais os gritos da mãe, que a faziam tremer, rezar, em cima no seu quarto, onde a chuva entrava pelo telhado. Não amava o marido...”

A DONA DE CASA PERFEITA , MULHER PERFEITA E CARIDOSA . UMA VERDADEIRA “ MARIA DA PIEDADE “

É uma ótima dona de casa, a autêntica “fada do lar”, toma conta da casa, trata do marido e dos filhos como uma enfermeira particular.

“Toda a sua ambição era ver o seu pequeno mundo bem tratado e bem acarinhado. Nunca tivera desde casada uma curiosidade, um desejo, um capricho: nada a interessava na terra senão as horas dos remédios e o sono dos seus doentes. Todo o esforço lhe era fácil quando era para os contentar: apesar de fraca, passeava horas trazendo ao colo o pequerrucho, que era o mais impertinente, com as feridas que faziam dos seus pobres beicinhos uma crosta escura: durante as insônias do marido não dormia também, sentada ao pé da cama, conversando, lendo-lhe as Vidas dos Santos, porque o pobre entrevado ia caindo em devoção”

A CHEGADA DE ADRIÃO – DO ROMÂNTICO ADRIÃO

No entanto, tudo se modifica, com a visita de Adrião (primo do marido), que é um escritor famoso e mora em Lisboa.
“Adrião era um homem célebre, e o marido da Maria da Piedade tinha naquele parente um orgulho enfático. Assinara mesmo um jornal de Lisboa, só para ver o seu nome nas locais e na crítica. Adrião era um romancista: e o seu último livro, Madalena, um estudo de mulher trabalhado a grande estilo, duma análise delicada e sutil, consagrara-o como um mestre. A sua fama, que chegara até à vila, num vago de legenda, apresentava-o como uma personalidade interessante, um herói de Lisboa, amado das fidalgas, impetuoso e brilhante, destinado a uma alta situação no Estado. Mas realmente na vila era sobretudo notável por ser primo do João Coutinho. “


O INÍCIO DA RELAÇÃO COM ADRIÃO

O primo Adrião resolve vender uma propriedade e João Coutinho, sugere-lhe que seja Maria da Piedade a tratar do assunto.

“Foi por isso, com grande alegria, que ouviu João Coutinho declarar-lhe que a mulher era uma administradora de primeira ordem, e hábil nestas questões como um antigo rábula!...
- Ela vai contigo ver a fazenda, fala com o Teles, e arranja-te isso tudo... E na questão de preço, deixa-a a ela!...
- Mas que superioridade, prima! - exclamou Adrião maravilhado. - Um anjo que entende de cifras!
Pela primeira vez na sua existência Maria da Piedade corou com a palavra dum homem. De resto prontificou-se logo a ser a procuradora do primo... “


AS CONVERSAS E A AFINIDADE DE MARIA DA PIEDADE COM ADRIÃO

“Ela falou-lhe já com menos reserva quando voltaram. Havia nas maneiras dele, dum respeito tocante, uma atração que a seu pesar a levava a revelar-se, a dar-lhe a sua confiança: nunca falara tanto a ninguém: a ninguém jamais deixara ver tanto da melancolia oculta que errava constantemente na sua alma. De resto as suas queixas eram sobre a mesma dor - a tristeza do seu interior, as doenças, tantos cuidados graves... E vinha-lhe por ele uma simpatia, como um indefinido desejo de o ter sempre presente, desde que ele se tornava assim depositário das suas tristezas. “
Após a venda da tal fazenda, vão visitar um velho moinho da terra. Aí, Adrião, resolve cortejar a esposa do primo, e acaba por lhe dar um beijo.
“ O silêncio dos campos em redor isolava-os - e, insensivelmente, ele começou a falar-lhe baixo. Era ainda a mesma compaixão pela melancolia da sua existência naquela triste vila, pelo seu destino de enfermeira... Ela escutava-o de olhos baixos, pasmada de se achar ali tão só com aquele homem tão robusto, toda receosa e achando um sabor delicioso ao seu receio... Houve um momento em que ele falou do encanto de ficar ali para sempre na vila.
- Ficar aqui? Para quê? - perguntou ela, sorrindo.
- Para quê? para isto, para estar sempre ao pé de si...

(...)
Ela corou outra vez do fervor da sua voz, e recuou como se ele fosse já arrebatá-la para o moinho. Mas Adrião agora, inflamado àquela idéia, pintava-lhe na sua palavra colorida toda uma vida romanesca, de uma felicidade idílica, naquele esconderijo de verdura: de manhã, a pé cedo, para o trabalho; depois o jantar na relva à beira da água; e à noite as boas palestras ali sentados, à claridade das estrelas ou sob a sombra cálida dos céus negros de verão...
E de repente, sem que ela resistisse, prendeu-a nos braços, e beijou-a sobre os lábios, dum só beijo profundo e interminável. Ela tinha ficado contra o seu peito, branca, como morta: e duas lágrimas corriam-lhe ao comprido da face. Era assim tão dolorosa e fraca, que ele soltou-a; ela ergueu-se, apanhou o guarda-solinho e ficou diante dele, com o beicinho a tremer...”
Contudo, Adrião sente-se perturbado e após o ocorrido e a concretização do negócio , acaba por voltar para Lisboa.
“Amava-o. Desde os primeiros dias, a sua figura resoluta e forte, os seus olhos luzidios, toda a virilidade da sua pessoa, se lhe tinham apossado da imaginação. O que a encantava nele não era o seu talento, nem a sua celebridade em Lisboa, nem as mulheres que o tinham amado: isso para ela aparecia-lhe vago e pouco compreensível: o que a fascinava era aquela seriedade, aquele ar honesto e são, aquela robustez de vida, aquela voz tão grave e tão rica; e antevia, para além da sua existência ligada a um inválido, outras existências possíveis, em que se não vê sempre diante dos olhos uma face fraca e moribunda, em que as noites se não passam a esperar as horas dos remédios. Era como uma rajada de ar impregnado de todas as forças vivas da natureza que atravessava, sùbitamente, a sua alcova abafada: e ela respirava-a deliciosamente... Depois, tinha ouvido aquelas conversas em que ele se mostrava tão bom, tão sério, tão delicado: e à força do seu corpo, que admirava, juntava-se agora um coração terno, duma ternura varonil e forte, para a cativar... Esse amor latente invadiu-a, apoderou-se dela uma noite que lhe apareceu esta idéia, esta visão: - Se ele fosse meu marido! Toda ela estremeceu, apertou desesperadamente os braços contra o peito, como confundindo-se com a sua imagem evocada, prendendo-se a ela, refugiando-se na sua força... Depois ele deu-lhe aquele beijo no moinho.
E partira! “


AS MUDANÇAS EM MARIA DA PIEDADE
Mas o tal beijo, modifica Maria da Piedade, que se sente apaixonada por Adrião, e após a sua partida, entrega-se à leitura de romances, primeiro, os do primo e depois de outros autores, acabando-se por transformar num “romanticismo mórbido”.
“Então começou para Maria da Piedade uma existência de abandonada. Tudo de repente em volta dela - a doença do marido, achaques dos filhos, tristezas do seu dia, a sua costura - lhe pareceu lúgubre. Os seus deveres, agora que não punha neles toda a sua alma, eram-lhe pesados como fardos injustos. A sua vida representava-se-lhe como desgraça excepcional: não se revoltava ainda: mas tinha desses abatimentos, dessas súbitas fadigas de todo o seu ser, em que caía sobre a cadeira, com os braços pendentes, murmurando: - Quando se acabará isto? “


A INFLUÊNCIA DE ADRIÃO NA VIDA DE MARIA DA PIEDADE


“Leu todos os seus livros, sobretudo aquela Madalena que também amara, e morrera dum abandono. Essas leituras calmavam-na, davam-lhe como uma vaga satisfação ao desejo. Chorando as dores das heroínas de romance, parecia sentir alívio às suas. “
‘A realidade tornava-se-lhe odiosa, sobretudo sob aquele aspecto da sua casa, onde encontrava sempre agarrado às saias um ser enfermo. Vieram as primeiras revoltas. Tornou-se impaciente e áspera. Não suportava ser arrancada aos episódios sentimentais do seu livro, para ir ajudar a voltar o marido e sentir-lhe o hálito mau. Veio-lhe o nojo das garrafadas, dos emplastros, das feridas dos pequenos a lavar. Começou a ler versos. Passava horas só, num mutismo, à janela, tendo sob o seu olhar de virgem loura toda a rebelião duma apaixonada. Acreditava nos amantes que escalam os balcões, entre o canto dos rouxinóis: e queria ser amada assim, possuída num mistério de noite romântica...”
“O seu amor desprendeu-se pouco a pouco da imagem de Adrião e alargou-se, estendeu-se a um ser vago que era feito de tudo o que a encantara nos heróis de novela; era um ente meio príncipe e meio facínora, que tinha, sobretudo, a força. Porque era isto que admirava, que queria, por que ansiava nas noites cálidas em que não podia dormir - dois braços fortes como aço, que a apertassem num abraço mortal, dois lábios de fogo que, num beijo, lhe chupassem a alma. Estava uma histérica. “
“Às vezes, ao pé do leito do marido, vendo diante de si aquele corpo de tísico, numa imobilidade de entrevado, vinha-lhe um ódio torpe, um desejo de lhe apressar a morte... ‘

DE MULHER MODELO PARA UMA MULHER ADÚLTERA


“A Santa tornava-se Vênus.
E o romanticismo mórbido tinha penetrado naquele ser, e desmoralizara-o tão profundamente, que chegou ao momento em que bastaria que um homem lhe tocasse, para ela lhe cair nos braços: - e foi o que sucedeu enfim, com o primeiro que a namorou, daí a dois anos. Era o praticante da botica. “
No fim, Maria da Piedade acaba por se tornar uma mulher adúltera, com um “praticante da botica”, deixando de cuidar da casa, do marido nem dos filhos.
“Por causa dele escandalizou toda a vila. E agora, deixa a casa numa desordem, os filhos sujos e ramelosos, em farrapos, sem comer até altas horas, o marido a gemer abandonado na sua alcova, toda a trapagem dos emplastros por cima das cadeiras, tudo num desamparo torpe - para andar atrás do homem, um maganão odioso e sebento, de cara balofa e gordalhufa, luneta preta com grossa fita passada atrás da orelha e bonezinho de seda posto à catita. Vem de noite às entrevistas de chinelo de ourelo: cheira a suor: e pede-lhe dinheiro emprestado para sustentar uma Joana, criatura obesa, a quem chamam na vila a bola de unto.”


CONCLUSAO

Maria da Piedade retrata, de certa forma, as mulheres de antigamente. Uma grande maioria casava para poder sair da miséria da casa dos pais, para tentar uma nova vida, acabando por se ver envolvidas numa vida de trabalho e pouca felicidade. É curioso ver como Maria da Piedade tratava do marido e dos filhos sem que isso aparentemente a perturbasse muito, pois encarava-o como uma obrigação, algo que lhe cabia fazer e como algo normal para sua existência de mulher.

O aparecimento de Adrião serviu de pretexto a que Maria da Piedade se apercebesse que não tinha de viver toda a vida sem ser feliz. Ela absorve o discurso dos romances de Adrião . Capta a idéia do amor , da fantasia , do sonho , do perfil forte das mulheres dos romances da época e dá um novo caminho ao seu cotidiano entediante e infeliz.

Acredito que não se tenha apaixonado verdadeiramente por ele, mas sim pelo que ele lhe mostrou, ou seja, uma possibilidade de se sentir feliz. Porém, estes valores românticos vão estabelecer um desvio de seus valores rotineiros mas que a mantinham dentro da conveniência moral.
A liberdade do sonho romântico desvirtua o caminho moral de MARIA DA PIEDADE.
Daí que, no final do conto. Ela acaba por se envolver com um homem que, aparentemente, não valia grande coisa.
Fez pelo impulso do sentimento , da necessidade de se sentir feliz , após se aperceber que tinha direito a ser feliz.
Maria da Piedade acreditou ingenuamente que o poderia ser com qualquer homem que conhecesse (tirando o marido, claro). E não importando de que jeito e tão pouco com o mundo e convenções que ela seguia. Procurou fazer o seu mundo de felicidade instantânea e assim , da mesma forma , rapidamente fluiu de mulher modelo para mulher adúltera, achando-se feliz e ironicamente se envolvendo com alguém que só estava com ela por interesse ( “e pede-lhe dinheiro emprestado para sustentar uma Joana, criatura obesa, a quem chamam na vila a bola de unto.”).
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9 comentários:

  1. professor Gil, me segue no meu blog porque fica mas fácil entra no teu site.

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  2. adorei seu blog,vc é um ótimo professor...

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  3. Caro professor Gil Mattos, gostaria de saber se o fato de "a liberdade do sonho romântico desvirtuar o caminho moral de MARIA DA PIEDADE" é relacionado à "Questão Coimbrã", à crítica feita por Eça de Queirós ao romantismo...
    Desde já, agradeço à atenção... ^^
    e muito obrigada pelos resumos...

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  4. eu adorei, vou fazer assim no meu colégio! Obrigada.

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  5. Professor, posso afirmar que há a presença do naturalismo na obra, visto as descrições desagradaveis feita pelo autor?
    Desde já, agradeço!

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  6. ola gostei muito ajudou me imenso a intender as partes finais deste conto

    vai me ajudar tambem no resumo para o teste

    estou contente por ter tirado esta duvida que me surgia e se eu tirar boa nota no teste fui com a ajuda deste site

    obrigada professor

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  7. pof eu adorei de fazer esse trabalho

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