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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

RESUMÃO PARA A UFPA 2012/2013




Não coloquei neste material O PRANTO DE MARIA
PARDA e escolas já trabalhadas para a revisão da UEPA

MATERIAL PADRÃO PARA A REVISÃO UFPA  COM DETALHAMENTOS IMPORTANTES, MAS AS AULAS DE REVISÃO DESTA SEMANA MOSTRARÃO O CAMINHO QUE ACREDITO....

SE PRECISAR LER RESUMOS MAIS DETALHADOS DAS LEITURAS , CLIQUE NO LOGO DA UFPA NESTA PÁGINA

BOM ESTUDO!!!


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A PATA DA GAZELA – JOSÉ DE ALENCAR






 O romance A Pata da Gazela foi escrito baseado no conto A Cinderela. O autor aproveita-se do enredo, no qual uma jovem, ao entrar apressada dentro de uma carruagem, perde um par de seu sapato, que é encontrado por um rapaz. Inquietado pelo calçado, ele sai à procura da dona do objeto, não desistindo até encontrá-la. A partir daí, o romancista desenvolve seu enredo, um texto irônico e crítico sobre a sociedade brasileira do século XIX. O livro é a tentativa de José de Alencar de mostrar como o amor deve ser, não pela plástica como o de Horácio, mas pela alma como o de Leopoldo.
Amélia – aspectos importantes
Essas e várias outras atitudes da moça Amélia revelam facetas pouco nobres do seu caráter da heroína do romance, considerando o idealismo romântico na construção das personagens femininas. A moça de boa família, pura e bela não deve ser vista como um ser idealizado, um anjo inocente. Amélia é uma mulher sagaz e, na dança citadina do século XIX reduzida no romance, soube movimentar-se para atingir seus objetivos. Lembremos ainda duas ações da moça que a afastam do modelo de mulher ingênua e angelical: a sua empresa em relação a atenção de Horácio e suas idas à casa de D. Clementina.
O pai de Amélia e o pensamento burguês
O Sr. Pereira Sales, ao receber a carta do pretendente de sua filha, preocupa-se, conversa com a esposa e depois com a filha. O que se depreende desses movimentos das personagens? Quando dialoga com a filha, o pai faz as seguintes observações sobre Horácio: “É um excelente moço; tem alguma coisa de seu; mas anda em certa roda que não me agrada”(p. 56) A roda de moços da moda não agrada ao chefe da família. Por quê? Horácio “tem alguma coisa de seu”, está inserido na roda da burguesia, mas mesmo assim há a preocupação de Pereira Sales. Como já foi observado, o pretendente da mão ou dos pezinhos de Amélia vivia no movimento da moda, não se dedicava ao trabalho com o capital e isso é algo que fere a organização da sociedade burguesa

Mais tarde em sua alcova, enquanto desfazia o penteado, soltando os lindos anéis do cabelo castanho, Amélia recordou-se das palavras apaixonadas que ouvira de Leopoldo na véspera, e comparou-as com a queixas de Horácio. A linguagem do primeiro tinha a eloqüência da paixão; parecia vir do íntimo, do mais profundo coração. A linguagem do segundo tinha a graça da sedução: era a vibração passageira das cordas d`alma.



O PRIMO BASÍLIO
EÇA DE QUEIRÓS
REALISMO

O pano de fundo da narrativa de O Primo
Basílio é um caso de adultério. Já no primeiro capítulo, o autor lança as sementes do conflito que dá
pretexto para o livro. Descreve o marido que viaja,
; a esposa que descobre que
o primo que revisita a cidade e as lembranças
que a notícia evoca. Introduz a criada Juliana,
ressentida e frustrada, que terá um papel decisivo
no desfecho trágico do romance.
O autor apresenta as
figuras secundárias, enfocadas durante breves
visitas dominicais à casa de Luísa e Jorge. A relação
amorosa clandestina mantida por Luísa e Basílio
é descoberta pela criada que, de posse de uma
carta dos amantes, chantageia a patroa. Abandonada
pelo amante, que foge para Paris, Luísa não
suporta a tensão e morre.

Os personagens secundários completam o
quadro social lisboeta. O Conselheiro Acácio, freqüentador do círculo próximo de Luísa, um dos
mais citados e conhecidos personagens de Eça, é o intelectual vazio. Sua habilidade em dizer o óbviocom empáfia deu origem à expressão "verdades acacianas". Joana é a cozinheira que enfrenta Juliana por dedicação à patroa; Dona Felicidade é a de "beatice parva de temperamento irritado". E também há, "às vezes, quando calha, um pobre bom rapaz" – Eça refere-se a Sebastião, que se propõe a recuperar as cartas tomadas pela criada. Na carta a Teófilo Braga, Eça assegura: "Eu conheço 20 grupos
assim formados. Uma sociedade sobre essas falsas bases não está na verdade: atacá-las é um dever".



PROSTITUIÇÃO INFANTIL
Olavo Bilac

Mergulhamos nesta crônica num olhar para a mulher , mas na fase infantil e sendo explorada pela estupidez e bestialidade através da prostituição.
 O trecho “  vendendo flores e aprendendo a vender beijos” traduz a idéia do texto com uma poesia que depois descortinará a crueldade desta sociedade com crianças de 7 a 8 anos.
O texto destaca  também a idéia da menina que tem que posar de mulher para se prostituir sob a ameaça que vem de sua própria casa. E por outro lado o texto deixa evidente que a “ mulher “ não passa de uma menina “ pediu-me mais duzentos reis ....esses , para doces
‘ todo nós temos mais o que fazer “ singulariza e simplifica bem o discurso da sociedade diante da problemática social da prostituição infantil. E a morte é colocada como um ponto final único para o problema.


Enfim, todos nós temos mais que fazer. E talvez a sorte melhor que se possa desejar hoje cm dia a uma criança pobre — seja uma boa morte, uma dessas generosas mortes providenciais, que valem mais que todas as esmolas, todas as bênçãos, todos os augúrios felizes e… toda a comiseração dos cronistas.
Olavo Bilac
Gazeta de Notícias 14/8/1894


QUE BOM MARIDO
Marques de Carvalho

O texto inicia com a descrição do personagem Bonifácio revelando que ele é  velho gordo e decrépito, puído das orgias e vermelho (cor de ginja), fruta excelente para licor, mas aqui associado ao rosto vermelho pela obesidade. Temos mais um personagem de aparência horrenda, vitima das consequências de uma vida desregrada.
A outra personagem é assim apresentada:  Ela , Elvira , jovem, faceira, risonha, olhos marotos, ágil, malemolente se  contrapondo ao velho que é gordo. Temos também a  referência ao mundo animal: “duas filas de dentes mais alvos do que os de um cão da Terra-Nova” – referencia ao mundo animal (zoomorfismo) - Cães Terra-Nova - uma raça de cães natural do Canadá, descendente geneticamente dos mastiffs. Sua personalidade, todavia, é diferente. O terra-nova pode ser considerado o cão mais paciente, tolerante e tranquilo de todos. Descrito como resignado, é um bom cão de companhia, já que gosta de participar das atividades familiares e aprecia a companhia humana.
       •       A expressão “Flexível como haste da angélica”- explica-se porque  essa planta é indicada para desconforto digestivo como sensação de enfartamento e flatulência, males associados a velhice.
         Elvira trabalha e tem certa independência financeira, pois para usufruir de algumas regalias é necessário somar o que ela ganha com o salario do marido, ou seja, o marido não dá conta de todos os gastos.
       
        Elvira não dava importância aos assédios, mas ficava na janela justamente nos momentos em que o marido estava distraído jogando com a vizinhança.
      Observa-se a ironia em pobre rapaz sem ventura , ora o Jacyntho era o Leão, metáfora do rei das selvas, o forte o dominador em oposição ao velho cervo, Bonifácio.
       O Leão  apaixona-se por Elvira poucos dias depois do casamento dela.
      “não ligava muita importância”

         •       “Jacytho é o leão, e o leão, como outros felinos, é um caçador oportunista”, diz o biólogo Carlos C. Alberts, da UNESP de Assis, interior de São Paulo. Significa que estuda o terreno antes de atacar, é um estrategista. Tinha convicção de que presa seria abatida – Isso no remete ao Darwinismo “na natureza só sobrevivem os mais fortes”. O autor se utiliza de um aforismo popular para provar a teoria
       A mulatinha faz charme sedutor – ela curva a cabeça em direção ao peito ele coloca o dedo indicador na boca e cala-se. Jacynto compra-lhe  resposta de forma igualmente sedutora.
•     Perceba  os dissimulamentos e os disfarces da freguesa.
•       Enquanto o rapaz já tinha toda a estratégia traçada – a carta já estava escrita esperando por uma oportunidade
       Temos ao final uma inversão - o velho puído se transforma em Leão – arma uma estratégia, bate, persegue e imobiliza a presa.
       Ele vira fera e quando a presa tá no chão ele ...despedindo olhares terríveis para todos os lados, tal como as feras quando com suas presas abatidas quer certificar-se de que não serão incomodas.
      Mais uma vez o autor nos diz que as aparências enganam. A inteligência está com quem se julga mais fraco.

A QUEDA DE UM ANJO
CAMILO CASTELO BRANCO
Calisto Elói, morgado da Agra de Freimas, vive em Caçarelhos com sua mulher, D. Teodora de Figueiroa, e com os seus livros clássicos, cuja leitura é o seu entretenimento preferido. Tendo sido eleito deputado, vai para Lisboa, disposto a lutar contra a corrupção dos costumes. Faz furor no parlamento com os seus discursos conservadores, apoiados na sua cultura livresca (mostrando aí o domínio da oratória), causando espantadas reacções. Defende principalmente o bom uso da língua portuguesa e combate o luxo e os teatros.
Ao longo da narrativa, na sua defesa da moral dos bons costumes antigos, a sua figura vai evoluindo até atingir um clímax. Logo após, inicia-se a queda. Esta consiste essencialmente na transformação total do herói, que adquire os costumes modernos que tanto condenava. Inicia uma relação ilícita com D. Ifigénia Ponce de Leão, com quem acaba por viver maritalmente e de quem tem dois filhos. Por seu lado, D. Teodora, vai depois também viver com seu primo, Lopo de Gamboa, de quem tem um filho.

A ironia camiliana
Permite uma grande imobilidade no interior da narrativa. O narrador participa ou afasta-se, exagera a ironia ou torna-a subtil, hiperboliza situações tornando-as cómicas, destaca o que lhe interessa, enfim, domina o universo ficcional. Para tal, utiliza:
. auctorictas – Calisto Elói tem uma cultura livresca clássica e acredita piamente no que dizem os livros, mesmo que estes tenham já quase 200 anos e estejam desfasados da realidade (ex.: água da fonte e a contradição com a realidade de Lisboa, que resulta num cómico constante).
. Autocrítica – por vezes Camilo ri-se dos seus próprios temas e artifícios que usa.
. Toponímia e onomástica (nomes próprios)- tem por vezes efeitos cómicos (Calisto Elói de Silos e Benavides de Barbuda; Ifigénia Ponce de Leão; o próprio título A Queda de um Anjo).

Nesta novela há vários níveis onde se processa a crítica social. Num 1º plano, temos a crítica da vida portuguesa da época da Regeneração. É pelos olhos de Calisto que o narrador nos mostra a miséria moral e intelectual do novo mundo político lisboeta, em que o liberalismo produz má fé e muito oportunismo. É de salientar que no 1º plano o narrador (depois de nos fazer identificar com Calisto e o mostrar a cometer os erros que condenara) preocupa-se em manter a nossa simpatia pelo anjo que desceu ao chão, tornando-nos assim cúmplices de Calisto. Durante a transformação de Calisto, dá-se o 2º plano da crítica – a uma dada concepção de literatura e da sua função na sociedade moderna. Nesta época, o seu público é conhecedor dos folhetins e romances franceses. Por isso ele não tem qualquer ilusão sobre o papel da literatura na correcção dos vícios – apenas na manutenção dum bom padrão linguístico.

ESAÚ E JACÓ -  MACHADO DE ASSIS
Esaú e Jacó é a penúltima obra de Machado de Assis, uma obra-prima de realismo lírico, com as tintas descritivas da própria vida da cidade, temperadas pela ousadia da construção do foco narrativo.
Enquanto as outras obras do autor têm um maquinário evidente, essa, por sua vez, exige uma apuração mais detalhada que, se bem executada, revela um Machado no auge do domínio de sua escrita. Autor atento aos acontecimentos e ao ser humano, demonstra em Esaú e Jacó sua qualidade de historiador ao ressaltar, a partir de dois irmãos, a disputa política entre monarquistas e republicanos: Paulo era republicano e Pedro, monarquista. Em sua obra, a história é narrada, privilegiando-se tanto os aspectos macros quanto aqueles que dizem respeito à cotidianidade da cultura.

O livro conta a história de dois irmãos gêmeos, Pedro e Paulo, que brigam desde o ventre materno. Unidos pelo amor à mãe e rivais pelo coração da jovem Flora, Pedro (de temperamento mais cauteloso, estudante de Direito) e Paulo (mais arrojado, estudante de Medicina) se põem em campos opostos inclusive na política. A simetria absoluta dos gêmeos e a contraposição única de seus temperamentos e opiniões são os elementos que constroem a narrativa.

O título é extraído da Bíblia, remetendo-nos ao Gênesis, à história de Rebeca, que privilegia o filho Jacó, em detrimento do outro filho, Esaú, fazendo-os inimigos irreconciliáveis. A inimizade dos gêmeos Pedro e Paulo, do romance de Machado, não tem causa explícita, daí a denominação que Machado inicialmente imaginou para o romance Ab ovo (desde o ovo).
ALBERTO CAEIRO – HETERÔNIMO

Alberto Caeiro é outro heterônimo de Fernando Pessoa. Segundo seu criador, nasceu em Lisboa, mas viveu quase toda a sua vida no campo. Não teve profissão, nem educação quase alguma, só instrução primária, morreram-lhe cedo o pai e a mãe, e deixou-se ficar em casa, vivendo de uns pequenos rendimentos. Vivia com uma tia velha, tia-avó. Morreu tuberculoso.
Pessoa cria uma biografia de Caeiro que se encaixa com perfeição em sua poesia. Ele escreve com a linguagem simples e o vocabulário limitado de um poeta camponês pouco ilustrado. Antimetafísico, pratica o realismo sensorial, numa atitude de rejeição às elucubrações do Simbolismo.

Afirma que "pensar é estar doente dos olhos", e quer apenas sentir a natureza. Em perfeita consonância com sua busca de simplicidade, escreve versos livres (sem métrica regular) e brancos (sem rimas). Agnóstico, escreve um poema ousado sobre o menino Jesus. Destituído de santidade, Cristo é representado como criança normal: espontânea, levada, brincalhona e alegre. Nisso está a religiosidade de Caeiro.

Há dois Caeiro, o poeta e o pensador, sendo o primeiro que em teoria se desdobra no segundo. Segundo a imagem que dá dele próprio, vive de impressões, sobretudo visuais, e goza em cada impressão o seu conteúdo original. Não admite a realidade dos números e não quer saber de passado nem de futuro, pois recordar, é atraiçoar a Natureza.
No Poema dum Guardador de Rebanho se declara pastor por metáfora. O andar constante e sem destino, absorvido pelo espetáculo da inesgotável variedade das coisas. Os seus pensamentos não passam de sensações. Limita-se a existir, com um sorriso de existir e não de nos falar.
Caeiro surge, pois, como lírico espontâneo, instintivo, inculto (não foi além da instrução primária), impessoal e forte, mas muitas vezes, a simplicidade quase infantil do estilo, pobre de vocabulário, consegue exprimir a infinita diversidade, as incontáveis metamorfóses do mundo.
Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz



O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...

Neste poema, afirma-se, claramente, de modo muito nítido, a primazia do ver, do olhar, dos sentidos, sobre o pensar. O sujeito poético fala-nos da sua postura típica: "andar pelas estradas, / Olhando para a direita e para a esquerda", vendo tudo muito bem, porque o seu "olhar é nítido como um girassol" (comparação), reparando bem que as coisas que vê são sempre diferentes. É que ele se quer como criança - sabendo ter "o pasmo essencial / Que teria uma criança se, ao nascer, / Reparasse que nascera deveras". Por isso, sente-se renascer em cada momento. "para a eterna novidade do mundo".
"... pensar é não compreender..."
"Eu não tenho filosofia, tenho sentidos..."
"(Pensar é estar doente dos olhos)"

Isto é, para além de poeta - "pastor por metáfora", ele é também um poeta-oxímoro: a sua filosofia é uma não-filosofia, afinal, uma recusa do pensamento abstrato, considerado como oposto ao "sentir" (com os sentidos, não com o sentimento). Repare-se que sempre que se refere ao pensar, isto é visto como negativo: "é não compreender ...", "é estar doente". Mesmo falando na Natureza (com maiúscula), representando um conceito "abstrato" (natureza será um conjunto de coisas existentes, logo entidade abstrata), seria para ele uma contradição, não é porque saiba o que ela é, mas porque a ama (introduzindo aqui um outro conceito essencial na sua poesia, para além do ver: o amar).
Termina então, naturalmente, como se de conclusão lógica se tratasse: "Amar é a eterna inocência, / E a única inocência é não pensar".

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Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!

Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

A definição de Deus nesse poema aproxima-se do panteísmo, doutrina filosófica segundo a qual só o mundo é real e Deus é a soma de todas as coisas e nelas se manifesta. Assim, as flores, as árvores, os montes, o sol e o luar são manifestações da própria divindade. Pode-se, assim, falar de uma verdadeira "religião da Natureza".


LIBERTINAGEM
MANUEL BANDEIRA

Os temas principais da poesia de Manuel Bandeira estão presentes nesta obra, temas como a própria poesia (metalinguagem), o cotidiano, a infância, a doença (a tuberculose), o erotismo e a morte. A marca registrada do autor é a simplicidade: frases simples, vocabulário simples e estilo simples.
Em “Libertinagem”, o autor consegue despojar a poesia dos ritmos clássicos, da métrica e do vocabulário elevado. Opta por ritmos próximos da fala cotidiana, pelo vocabulário do dia a dia e pelo verso livre. As principais técnicas do modernismo da 1ª fase estão presentes na obra: anti-academicismo, verso livre, coloquialismo, afastamento das normas gramaticais, poema piada, humor, paródia, nacionalismo crítico e valorização do folclore.
Em Manuel Bandeira, a emoção é sempre comedida, mesmo quando o tema é a morte. Aquilo que para nós, leitores, é estranho como a doença e a morte, recebe tratamento familiar, enquanto aquilo que nos é familiar é tratado como algo estranho, distante, possível somente na imaginação
--------------------------------------------------------O LIVRO – LIBERTINAGEM  - TEM 38 POEMAS
SELECIONEI 7 PARA A TUA PROVA DA UFPA

1 -  "Teresa" - Poema-paródia do texto lírico de Castro Alves chamado "O 'adeus' de Teresa". Antilírico, o poeta revela distância da idealização, confirmando, na última estrofe, a presença das transformações seja no plano físico, seja no sentimental.

O texto de Castro Alves é uma exaltação à beleza e ao erotismo da mulher amada, contudo, a última estrofe, acompanhada do tom grandiloquente do poeta, revela traição:

(fragmentos)
A vez primeira que eu fitei Teresa
Como as plantas que arrasta a correnteza
A valsa nos levou nos gritos seus...
E amamos juntos... E depois na sala
"Adeus" eu disse-lhe a tremer co'a fala...
E ela, corando, murmurou-me: "adeus!"
(...)
Quando voltei... era o palácio em festa!...
E a voz d'Ela e de um homem lá na orquestra
Preenchiam de amor o azul dos céus.
Entrei!... Ela me olhou branca... surpresa!
Foi a última vez que eu vi Teresa!...
E ela, arquejando, murmurou-me: "adeus"!
(Castro Alves)

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A primeira vez que vi Teresa
Achei que ela tinha pernas estúpidas
Achei também que a cara parecia uma perna

Quando vi Teresa de novo
Achei que os olhos eram muito mais velhos que o resto do corpo
(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando que o resto do corpo nascesse)

Da terceira vez não vi mais nada
Os céus se misturaram com a terra
E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas.


2  "Poema tirado de uma notícia de jornal" - A morte é o grande tema. Ela é anunciada. Trata-se de uma notícia de jornal sobre a morte de mais um favelado. A miséria anônima e irônica (vem do alto, no morro da Babilônia, como o jardim suspenso da Babilônia) desce e chega à Lagoa Rodrigo de Freitas (lugar da classe alta no Rio de Janeiro). O drama e o elemento narrativo unem-se ao ritmo: versos longos na introdução e no desfecho.

João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia num barracão
sem número.
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
                       Bebeu
                       Cantou
                       Dançou
                       Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.

3) "Andorinha" - A vida, simbolizada pelo pássaro, é o exterior, o mundo, o cotidiano, todas as "coisas" que contrastam com o sofrimento, a tristeza do poeta que constata: não pôde viver o que queria, passou a vida à toa e, agora, só a morte o aguarda.

4 ) "Pneumotórax" - Refere-se à doença de Manuel Bandeira - a tuberculose. A morte, novamente em evidência, é tratada em tom jocoso da primeira geração modernista: humor negro, coloquialismos, autoironia, além da técnica de marcação teatral com o emprego do diálogo.

Repare na linha pontilhada que quebra a narrativa dialogada, remetendo-nos também a uma quebra na respiração, e no verso 2 - célebre.

5) "Irene no Céu" - Embora o poema refira-se à imagem de uma pessoa querida pelo poeta, presente em sua infância, Irene representa também a mulher escrava, submissa, inferiorizada. O poeta sutilmente opõe branco e negro na segunda estrofe, onde Irene pede licença a São Pedro, chamando-o de meu branco.

Há ainda a exaltação à linguagem coloquial. A fala de São Pedro ordena: "- Entra, Irene. Você não precisa pedir licença". Na linguagem normativa, o correto seria conservar o tu ou empregar o verbo na 3ª pessoa do singular. Assim, teríamos:
- Entra, Irene. Tu não precisas pedir licença
- Entre, Irene. Você não precisa pedir licença

6) "Vou-me Embora Pra Pasárgada" - Nesse poema, Bandeira busca a utopia, a evasão, o lugar onde possa realizar-se, onde fuja da morte (Quando de noite me der / vontade de me matar), onde se mesclem os elementos reais e o nonsense, onde a doença não será empecilho porque simplesmente não existirá, onde a infância será revivida e os homens e mulheres que participaram de sua vida, presentes, representados por Rosa.


O termo Pasárgada ocorreu ao poeta num momento de desânimo devido à doença. Ouvira no colégio algo sobre uma civilização ideal, antiga, fundada por Ciro, na Pérsia.

Vou-me embora pra Pasárgada
 Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
 Na cama que escolherei
 Vou-me embora pra Pasárgada
Montarei em burro brabo
  Subirei  no  pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
       E  quando  estiver  cansado
      Deito na beira do rio
      Mando chamar a mãe-d'água
    Pra me contar as histórias
         Que no tempo de eu menino
       Rosa vinha me contar
            Vou-me embora pra Pasárgada

         Em Pasárgada tem tudo
          É  outra  civilização

         Tem um processo seguro
    De impedir a concepção
       Tem telefone automático
               Tem  alcalóide  à  vontade
           Tem  prostitutas  bonitas
      Para a gente namorar


7 "Poética" - Espécie de plataforma teórica da poesia modernista, "Poética" é um texto de propostas e críticas. Propostas modernistas e críticas ao tradicionalismo, representado pela estética parnasiana.

São sete estrofes, sendo que a 1ª, 2ª, 4ª e 5ª criticam o formalismo, a burocracia e a falta de espontaneidade dos poetas parnasianos. Já a 3ª, 6ª e 7ª propõem a liberdade de expressão, a autenticidade, rompendo com o parnasiano tanto no plano do significante quanto do significado.

Trata-se, portanto, de um poema metalinguístico.


Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com   livro de ponto

Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho vernácuLO de um vocábulo

Abaixo  aos  puristas

UMA DICA IMPORTANTE

Bembelelém
VivaBelém!

Belém do Pará onde as avenidas se chamam Estradas:
Estrada de São Jerônimo
Estrada de Nazaré

Onde a banal Avenida Marechal Deodoro da Fonseca de todas as cidades do Brasil
Se chama liricamente
Brasileiramente
Estrada do Generalíssimo Deodoro

Bembelelém
VivaBelém!
Nortista  gostosa
Eu te quero bem.


CRUZ E SOUSA

Protagonista de uma das vidas mais trágicas que se tem notícia, Cruz e Sousa aproveitou esse rótulo por vezes contraditório. Soube, antes de mais nada, revoltar-se sem ultrapassar o limite do possível. Afinal, ser "maldito" era quase uma regra exigida pelo Simbolismo. Se o poeta não fosse enxotado pela crítica e pelo gosto comum, não seria simbolista. A dor, então, era peça fundamental para que esse poeta pudesse trabalhar. Fosse real ou não, não importava. Ela deveria, segundo o francês Arthur Rimbaud, ser mesmo procurada, incitada.
Essa dor foi mais do que real em Cruz e Sousa. Os motivos são vários. A cor de sua pele, por exemplo. Negro, Cruz e Sousa teve que lutar - com a ajuda de vários amigos brancos, é verdade - contra as inúmeras agressões morais que recebia. Esse preconceito, é claro, não lhe passou impune. Em diversas ocasiões, escreveu poemas anti-escravistas

Além do preconceito racial, Cruz e Sousa sofreu - e explorou esse sofrimento em sua obra - muito mais. Teve, como tantos outros poetas de seu tempo, tuberculose, mal que o vitimou. Sua mulher, Gavita, enlouqueceu.
A beleza que reside em Cruz e Sousa não se limita apenas em explorar esses fatos, e sim a profundidade espiritual com que o poeta os analisou. Aliás, o choque entre o bem e o mal, o carnal e o místico, parece ser fundamental para uma melhor análise de sua obra. Até porque alguns temas enaltecidos pelos simbolistas - como o satanismo exacerbado de Lautréamont, o haxixe e o ópio de Baudelaire - não pareceram seduzi-lo. O vinho, por exemplo, era negro. E, embora tenha falado diversas vezes no Deus do Mal, não parece jamais que o tenha adorado.
Cárcere das Almas

Ah! Toda a alma num cárcere anda presa,
Soluçando nas trevas, entre as grades
Do calabouço olhando imensidades,
Mares, estrelas, tardes, natureza.

Tudo se veste de uma igual grandeza
Quando a alma entre grilhões as liberdades
Sonha e sonhando, as imortalidades
Rasga no etéreo Espaço da Pureza.

Ó almas presas, mudas e fechadas
Nas prisões colossais e abandonadas,
Da Dor no calabouço atroz, funéreo!

Nesses silêncios solitários, graves,
Que chaveiro do Céu possui as chaves
Para abrir-vos as portas do Mistério?


Os miseráveis, os rotos
São as flores dos esgotos
São espectros implacáveis
Os rotos, os miseráveis
São prantos negros de furnas
Caladas, mudas, soturnas (...)
Faróis à noite apagados
Por ventos desesperados(...)
Bandeiras rotas, sem nome,
Das barricadas da fome.
Bandeiras estraçalhadas
Das sangrentas barricadas.
Ninguém sentiu o teu espasmo obscuro,
Ó ser humilde entre os humildes seres.
Embriagado, tonto dos prazeres,
O mundo para ti foi negro e duro.

Atravessaste no silêncio escuro
A vida presa a trágicos deveres
E chegaste ao saber de altos saberes
Tornando-se mais simples e mais puro.

Ninguém te viu o sentimento inquieto,
Magoado, oculto e aterrador, secreto.
Que o coração te apunhalou no mundo.

Mas eu, que sempre te segui os passos,
Sei que cruz infernal prendeu-te os braços
E o teu suspiro como foi profundo!



PRIMEIRA MANHÃ
DALCIDIO JURANDIR

1. A obra enquadra-se na transição entre a Segunda Geração Modernista e a terceira geração modernista.Temos o regionalismo e a crítica social, o neorrealismo da segunda geração com o aumento considerável do fluxo de consciência, uma das marcas de consistência da terceira geração. Personagem no cotidiano, sem idealizações.

2. Alfredo representa o alter-ego do autor Dalcídio Jurandir. Realidade e ficção em cada frase, pelas ruas de Belém e nas memórias do Marajó.

3. Uma Belém da periferia, Telégrafo, Pedreira, Acampamento que vai ao centro, o Liceu.

4. O personagem Alfredo vive em um mundo cercado de mulheres, porém limitadas pela pobreza, ausência, ou baixa escolaridade, mulheres em torno, ou em busca de seus homens.

5. Parece que o professor Benício ao falar que números e letras, são apenas números e letras e que a grande ciência da vida, estaria no mistério de entender as mulheres. Tenta apontar um caminho entre a vida prática, real e a vida acadêmica, distante baseada em uma cultura europeia.


Temática: Os primeiros dias do jovem Alfredo no colegial, descobertas e frustrações em um verdadeiro ritual de passagem do menino para o rapaz.

Espaço: Ruas e bairros principais de Belém o Liceu e a casa da José Pio. No campo da memória Cachoeira e Muaná no Marajó

Pontos Importantes
· A escola aparece como um local que não fora feito para ele.Sentia-se meio intruso, o menino pobre descedentes dos negros da areinha, da tão distante Cachoeira e tão presente Cachoeira em seu fluxo de memória. O menino da cor da água barrenta,em contraste com o confiante e abusado loiro do quinto ano.
· Alfredo sente-se representante de todos os seus colegas de Cachoeira,meninas e meninos que não teriam a chance de frequentar o ginásio.Nessa dualidade entre o orgulho de representar os humildes amigos do seu munícipio e a hostil recepção dos alunos ao ginasiano do primeiro ano
· Professores autoritários ministrando um conhecimento livresco,sem qualquer ponto de contato com esse menino amazônico. O professor de Geografia falava dos afluentes dos rios da Europa...
· A covardia denominada de trote,pois por falta do uniforme faltou os primeiros oito dias de aula. Foi esculachado no pátio e correu para frente do colégio,sendo perseguido pelos alunos” Todo o Ginásio sabendo que um tamanho caverna do primeiro ano, o calouro da roça, covardemente fugiu do trote devido.”
· Luciana a desabençoada,que deu mau passo,que levou uma surra de sua mãe, a insensível dona Jovita,que lhe deu tamanha surra e lhe deixou presa, nua em pelo, no quarto que guardava as selas dos cavalos.
· Luciana fora salva pelo raio,que matou dezesseis porcos e danificou sua prisão.Ela fugira. Tornou-se a renegada,mesmo sendo a filha caçula,outrora já tinha sido a preferida do coronel.
· A residência da José Pio em Belém, que fora construída para a moçinha e ela nunca conheceu. Agora o sensível e pensativo Alfredo estava no lugar da dasabençoada Luciana. Na casa que deveria ser da estudante Luciana.Sentia-se as vezes um pouco culpado,uma sensação de usurpar o espaço alheio.” No lugar da outra, aqui no Giná­sio, isto que não, que a casa é dela”
· Primeira manhã é um romance de pouca ação e muita digressão. O fluxo de memória é intenso,muitas vezes parece desordenado,marcado por muitas interrogações. No entanto esse vai e volta ao passado serve para dar consistência psicológica aos personagens. Assim entendemos suas atitudes no presente.
· Primeira manhã foi publicado em 1968,porém sua proposta estética,enquadra-se na Segunda Geração Modernista. O texto desenvolve dentro de uma ótica neorealista,baseado na análise psicológica e na crítica social. Personagens verdadeiros em sua composição,extraídos da vida, do cotidiano da cidade,como as duas muheres preocupadas com as traições dos maridos.
· Ivaína,Braziliana
· Assim como em Belém do Grão Pará que o ruir da casa dos Alcântara, aponta o caminho da decadência familiar. Agora é a falante Abigail que narra como a casa de seu avô, o rei do bucho,o imperador das vísceras, ficou em cacos ao desabar. Em cacos também ficou a família,cada um para o seu lado e sem o conforto e as festas do ontem.
· Alfredo descobre o despertar da sexualidade do menino homem, com as duas mulheres que tentavam achar os maridos que provavelmente farreavam com as “mulheres da vida”,naquela noite.
· O jovem Alfredo sente a mágica sedutora do colo da embotada Ivaína e os braços expostos da falante e mais dada Abigail.Um jogo de sedução,com direito a roçada de braço,olhares,toque nas mãos,o fechar dos colchetes do vestido de Abigail. Tudo isso envolto no mistério da noite,locais ermos e perigosos que passaram,frustrações com os maridos,muita imaginação do rapaz.”Duas senhoras lhe dão esta primeira vez de se portar como cavalheiro e nelas, ao mesmo tempo assim devagarinho, ir descobrindo, adivinhando o que ainda não via nas outras. Não, não é mais a Libânia nem Odaléa nem Andreza. Nem Esméia, negra quanto donzela alva de jasmins.”
· “murmurou d. Abigail cruzando os braços nus, sem dizer mais nada. À frente de Alfredo, parou, pediu-lhe, baixo: quer me prender esse colchete aqui nas costas, não lhe fazendo de meu criado? mas a entender que isso era só para cochichar-lhe: Aquela lá na frente vai que vai escumando,
· As questões de terra tanto no Marajó como em Belém. Na capital a familia Lobo parecia ser quase dona da cidade.No Marajó a briga entreo coronel Braulino e a família Teixeira.
· A crítica a Justiça,que só os poderosos serve. A crítica aos advogados através do doutor Gurgel,que a anos sangra o bolso do coronel Braulino com essa “questã” como pronunciava o coronel sua disputa na Justiça pela demarcação de suas terras.
· A ironia da vida “o Delabençoe, que abençoava tudo quanto fosse menino, moça e rapaz em Cachoeira, delabençoando a filha dele.”
Sincretismo religioso de d.Abigail “E alto aos santos pedia que salvassem o marido, nem um risco as duas corressem, abençoassem o caminho delas, em tão tamanha noite, e prometia uma cabeça de cera no Carro dos Milagres.” “Foi então que ouviu o tambor, na Pedreira, batiam babaçuê, d. Abigail cantarolou



O CARRO DOS MILAGRES
Benedicto Monteiro

Ø Olhar do marginalizado O autor Benedicto Monteiro mostra o Círio através do homem humilde do interior,pescador do Marajó.Foge da narrativa oficial, da visão urbana do Círio,da visão jornalística...
Ø O promesseiro narrador Sintetiza o povo, o anônimo interiorano,com o seu deslumbramento diante da Santa,com sua cultura do peixe frito,da farinha,da cachaça,os seus causos, o brinquedo de miriti, os ditados populares,suas idiossincracias,sua vivência de mundo
Ø Águas e o mar de gente O narrador cria uma analogia entre o desespero de não alcançar o Carro dos Milagres, com o naufrágio sofrido no Marajó. A todo momento faz comparações com o seu mundo marajoara. Durante a narrativa o promesseiro tenta explicar o Círio, a partir do seu conhecimento de mundo,das dificuldades que já enfrentara como pescador. Talvez pelo efeito da cachaça,acreditou que ir na corda,ou colocar objeto da promessa no Carro dos Milagres,era mais difícil que os perigos que já enfrentara nas águas da região. No dia do temporal lá no Marajó as velas também foram perdidas: “Eu mesmo não sei contar nada, depois que velas e mastros foram arrancados. Só sei que a canoa ficou totalmente desamparada no meio da mais negra escuridão.”
Ø Patrimônio Imaterial O narrador percebe que o Círio não depende de qualquer autoridade religiosa, política, ou da área de segurança para acontecer. Uma manifestação de fé genuinamente popular.
Ø Santa e Devoto Uma festa com dois elementos centrais, a Santa e os fiéis. Nenhuma celebridade, artista, Presidente,Governador, jogador, ou milionário terá o protagonismo durante o Círio
Ø A promessa A mãe do narrador fez promessa a Nossa
Senhora do Retiro, ou do Desterro e que deveria ser no Círio de Nossa Senhora de Nazaré o pagamento– (a mesma Santa) pelo filho que foi salvo do naufrágio
Ø Olhar do interior na capital O narrador está na procissão do Círio pela primeira vez, seu intuito é pagar a promessa,está na Sé ao lado do compadre, observando a multidão tomar conta da praça.
Ø Falso diálogo Conversa com o compadre,porém só o narrador tem voz,o compadre não fala,não existe diálogo entre eles. ( falso diálogo).
Ø A maldita de Abaeté O compadre lhe acompanha nas doses de cachaça.
Ø Quando começa a procissão os dois “cabocos” já estão alcoolizados
Ø O verniz religioso As três beatas e o falso testemunho,ausência de caridade cristã, pois partiram logo para acusação de ser o romeiro um incendiário ou ladrão. O falso mundo das aparências.
Ø Falta da essência cristã O padre cometeu o mesmo erro das beatas, pois nada perguntou ao humilde romeiro. Estava preocupado apenas com aparência dos fatos apresentados,pois pediu para o policial retirar o suposto meliante pelos fundos da Basílica
Ø Sua leitura do século XII O narrador faz sua própria leitura da iconografia da cena do nobre cavaleiro e marinheiro português D. Fuas Roupinho,presente nas laterais do Carro dos Milagres. Protagonista de um milagre de Nossa Senhora de Nazaré,no século XII
Ø Os balões coloridos No final do conto tudo fica subtendido que provavelmente teria sido os balões de gás do filho do compadre, que levaram a vela do barco do narrador
Ø A ironia do destino. O pai que tinha orgulho do filho não beber cachaça, o filho ao sair para beber foi salvo da explosão
Ø A solidariedade O caráter solidário dos anfitriões que ao perceberem o improvisado velório em sua sala, nada perguntaram e foram abraçá-los na dor da perda. Representa a hospitalidade do paraense no período do Círio.Especificamente das pessoas humildes que abrem suas residências para centenas de milhares de romeiros do interior do Pará
Ø A boa acolhida Diferentes da beatas,do padre e do policial dentro da Basílica,que não tiveram o despreendimento das aparências de um cristão coerente com a filosofia de Jesus
Ø A crítica social, Mostrando a imoral moradia em cima de pontes, palafitas. Ouro e a prata da Igreja, o patrão que arma emboscada para o empregado...
Ø A rica e bela linguagem A oralidade, refletindo o saboroso falar do homem marajoara. Ponto alto dessa narrativa é a oralidade, repleta de aliterações,sua fala lembra o ritmo da corda,alucinante,frenético,acelerado.
Ø Regionalismo A obra é marcada pelo regionalismo, marcas da cultura do Marajó (pesqueira), do Acará(farinha amarela), Abaeté (cachaça), as tacacazeiras na festa do arraial em Belém...

VIAGEM DO ELEFANTE- SARAMAGO
Tudo começa quando o rei de Portugal dom João III, na intimidade do seu quarto,demonstra a rainha Catarina a necessidade de oferecer um novo presente ao primo é agora arquiduque de Espanha Maximiliano II.
O rei envergonhou-se do presente que dera na ocasião do casamento do primo, busca recuperar-se desse equívoco. A rainha sugere primeiramente uma custódia,o que logo foi rechaçado,pois o primo estava mais para a fé protestante.
 O elefante salomão foi a segunda sugestão da rainha, um paquiderme que a dois anos estava em Lisboa,viera de Goa na Índia. Em sua chegada a capital portuguesa o elefante fora recebido em grande estilo, da mais alta nobreza ao povo, todos visitaram o elefante. Agora o animal estava abandonado em pequeno e fédito quadrado próximo a torre de Belém.
O rei decide visitá-lo e conhece o indiano maltrapilho Subhro, que tinha a função de cornaca,istoé,tratador do elefante.
O secretário Pêro de Alcáçoba Carneiro em nome do rei envia a carta, oferecendo o novo presente ao poderoso Maximiliano. Afirma que era o bem mais valioso do país. O arquiduque aceita o presente. Começa a preparação da viagem. A caravana sairá de Lisboa com o destino final em Viena na Áustria. Trinta soldados e trinta carregadores vão acompanhar o cornaca coduzir o solimão durante dois anos( 1551-1553).
Nas primeiras horas de viagem, o comandante militar se aborrece por peceber que o elefante tem o seu próprio ritmo.Toma banho no rio por vontade própria,come bastante e tem reservado o sagrado horário da sesta. Subhro comunica ao comandante a necessidade de mais uma junta de bois, com objetivo de dar maior velocidade a caravana. O comandante consegue requisitar os dois bois em uma aldeia, em nome do rei. Subhro narra a criação do deus ganeixa, aquele que era barrigudo e com cara de elefante, que nascera do sabão.
Na conversa afirma que Maria mãe de Jesus completaria o quarteto divino e substituiria assim a santíssima trindade católica (tom de ironia do narrador). Enquanto todos jantavam em volta da fogueira, quatro moradores curiosos admiravam o elefante a distância.Um deles ouviu que Deus era um elefante.No dia seguinte o padre acompanhado de toda a cidade em procissão, seguiu para o acampamento. Com a desculpa que desejava apenas dá a benção ao solimão para uma viagem tranquila.
Começou um inusitado ritual de exorcismo. O elefante tocou levemente com sua pata e o padre foi jogado longe,sendo socorrido pelos militares. O cura concluiu que a rejeição do elefante fora castigo do céu, pois usara água de poço para o ritual de exorcismo.
Na continuação do trajeto enfrentaram uma forte neblina.Um homem perdeu-se do grupo.Sentou-se,dormiu e acordou com o primeiro barrito do elefante, no segundo grito ganhou direção no nevoeiro e no fraco e terceiro barrito encontrou o acampamento.Acreditava que fora salvo pelo elefante. Ajoelhado agradecia ao paquiderme. O cornaca discordou do milagre do elefante e esvaziou a narrativa do tal homem,tanto que o sujeito voltou ao seu anonimato,fez simple plof! Desapareceu da narrativa como uma bola de sabão.(Lembrou do deus ganeixa,aquele que fora criado na hora do banho).
O narrador critica o lirismo saudosista português, seria apenas invenção de alguns bons escritores da terra e não a natureza do povo português.Ironiza a paixão do comandante pelas novelas de cavalaria,citando o exemplar pirata de Amadis de Gaules, que o capitão possuia.
Maximiliano pergunta em carta, em qual ponto da fronteira os portugueses entrariam na Espanha. O secretário Pêro de Alcáçoba Carneiro não gostou do termo do seu colega espanhol “receber”, pois deveria ter usado o vocábulo “acolher”. O secretário informou que seria pela fronteira de Castelo Rodrigo,última cidade portuguesa no trajeto.O secretario mandou o comandante preparar-se para tudo. O comandante preparou a tropa para até um possível conflito.O alcaíde que seria o mandatário da cidade portuguesa,serviu como diplomata entre os quarenta escudeiros austríacos,em suas armaduras de aço escovado e o seu comandante montado em uma imponente égua e os portugueses. Diante de um iminente conflito, no final tudo acabou bem.
Todos os portugueses e austríacos seguiram em solo espanhol até Valladolid,cidade em que o arquiduque Maximiliano e sua esposa Maria os aguardavam.
Temos a despedida ainda em Castelo Rodrigo dos carregadores, que voltariam pelo litoral no caminho até Lisboa.
Subhro estava preocupado pois poderia existir outro cornaca em Valladolid, ficaria desempregado. A cidade de Valladolid festeja a presença de solimão e do arquiduque. Maximiliano resolve trocar o nome de Subhro para Frtiz e de salomão para solimão.
A despedida dos soldados portugueses, salomão toca com a tromba na divisa do capitão,emocionou os soldados. Três dias depois partiram com Maximiliano no comando.Logo o arquiduque exigiu que a sesta de solimão limitaria-se apenas uma hora. No dia seguinte percebeu que a ordem não surtira efeito e por isso retirou a ordem,pois solimão não seguia a lógica humana.
Chegaram a Mar de Rosas,após setecentos quilômetros percorridos, cidade espanhola marítima,fronteira com a França. Embarcaram para Gênova.Três dias e três noites de temporal.Solimão recebeu parte da chuva, enquanto os príncipes treinavam para o terceiro filho.No desembarque o elefante e Fritz brilharam e depois da euforia do elefante foi a vez do arquiduque receber os aplausos.
Enquanto Maximiliano e Maria seguiram para Veneza, o elefante e o cornaca ficaram em Pádua. Um padre pediu em nome da Igreja um milagre, bastaria o elefante ajoelhar perante a basílica de santo Antônio de Pádua. As ideias de Lutero estavam incomodando bastante.Era preciso reagir. Fritz treinou alguma horas e ao meio dia,perante uma pequena multidão,sobre o comando de um camuflado toque na orelha direita de solimão, o público aplaudiu entusiasmado, o elefante dobrou os joelhos diante da basílica. O milagre foi comunicado a Trento,local de origem da contrarreforma.Fritz passou a vender pelos do elefante.
Maximiliano retorna rápido de Veneza e descobre como tudo aconteceu. Pediu silêncio ao Fritz, pois envolvimento com os segredos da Igreja era algo perigoso.Era melhor a neutralidade,fingir que nada sabia do falso milagre.Esforçava-se para ter equilíbrio entre o valores de Lutero e os valores do concílio de Trento. O secretário do arquiduque o comunicou que Fritz continuava vendendo pelos sagrados.O arquiduque ordenou a imediata proibição da venda do produto santo.Na despedida da cidade de Pádua foi organizada uma festa noturna e um elefante de madeira foi construído em homenagem ao Maximiliano,assim narrou o secretário ao arquiduque.
Pela manhã todos seguiram o caminho tomado pela neve.Maximiliano disparou na dianteira, ,deixando todos para trás, quando de repente o eixo do carro do arquiduque quebrou. O conserto da carruagem levou tempo suficiente para agregar a todos novamente na comitiva .Maximiliano fora incoerente,pois assinalara para o grupo que todos seguiriam juntos, sem dispersão.Na prática não foi isso que fizera.Na primeira noite pediram abrigo nas residências da cidade de Bolsano. Solimão ficou embaixo do alpendre,as laterais eram abertas.Fritz contara muitas histórias para os três garotos da residência que o abrigara.Pela manhã o sargento o comunicou que descansariam quinze dias em Bressanone, ou Bixen.O arquiduque não desejava proximidade com Fritz. Fritz imaginou um acidente com a arquiduque Maria.Aos seus comandos o elefante a tiraria do barranco. Maximiliano o agradeceria em espanhol.Tudo fantasia de sua mente culpada pela venda dos pelos de solimão.Enfrentaram o perigoso passo do Isarco,ao ultrapassar a estreita vereda, solimão dobrou as patas e caiu, por sorte Fritz não se machucou. Para comemorar Fritz bebeu uma dose de aguardente com o boeiro.Durante os quinze dias solimão engordou.O narrador afirmou que não tinha conhecimento bastante para descrever a passagem pelo passo do Brenner,que seria muito mais perigoso que o passo do Isarco.Todos passaram bem e não existiu dispersão. A próxima parada foi na cidade de Innsbruck, na margem do rio Inn. Resolveram seguir embarcados,já no rio Danúbio poderiam seguir até Viena.No entanto desceram próximo a capital. O arquiduque anteriormente já tinha dado ordens para o secretário providenciar uma grande recepção em Viena.No caminho para Viena os camponeses e as camponesas demonstravam suas danças, o que entreteu a emocional Maria e não emocionou o arquiduque que apenas fingia simpatia pelas apresentações. Na entrada de Viena, o povo na rua, espera o seu arquiduque após três anos ausente. Solimão caminha sem pressa, quando de repente uma garotinha de cinco anos correu na direção da pata do elefante.O grito de horror saiu da boca da multidão.O regresso do Maximiliano seria marcada pelo luto, pela lembrança da tragédia. Solimão com sua providencial tromba a enroscou no corpo da criança e salva no ar como uma nova bandeira. Os pais correram para agradecerem ao elefante. Muitos falaram que fora um milagre, mesmo sem conhecer o milagre anterior, aquele da basílica de Pádua. Maximiliano perdoa Fritz e o agradece pela atitude de solimão.Dois anos depois solimão morreu,em 1553, de causa desconhecida.Suas patas dianteiras serviram de porta guarda-chuva. Fritz foi indenizado e comprou uma mula e um burro e desejava voltar a Portugal,porém desapareceu,mudou de ideia, ou morreu? Ninguém teve notícias.Algumas semanas depois uma carta chegou a Lisboa. O Pêro de Alcáçoba Carneiro leu a carta ao rei. A rainha pressentindo a notícia não quis ouvi-lá e correu para o quarto.

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