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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O LOPO - MIGUEL TORGA - UEPA III FASE

O Lopo -MIGUEL TORGA

Enredo

Manuel Lopo abriu com muito esforço uma mina, no pé da montanha. Dedicou três meses de intenso trabalho.Picareta e dinamite. No entanto, um rico proprietário Dr Casimiro, disputou na justiça a posse da mina. O Lopo foi ao escritório do seu advogado,o Dr Canavarro. A notícia foi a pior possível. Perdera a causa e teria que pagar a custa do processo. Foi almoçar com o amigo Marrau. Após o almoço avisou o amigo que não esperaria, voltaria antes para casa. No caminho vinha compenetrado, por dentro estava arrasado, porém não aparentava a ninguém o seu estado emocional. Cumprimentou as pessoas pelo caminho. Resolveu visitar a mina pela última vez. Lavou o rosto no riacho e voltou resoluto para casa. Ficou tranqüilo novamente. Mentiu para a espo-sa, afirmando que o advogado não tinha nenhuma novidade. Foi a janela, cumprimentou quem passava, jantou e foi dormir. Não teve insônia. Pela manhã mentiu a esposa.Disse que iria caçar uma lebre. Atravessou a cidade de Carvas, antes dos moradores despertarem. Seguiu para a propriedade rural do Casimiro a quinta dos Balaus ) . O Casimiro admirava sua plantação de uva.

O Lopo o chamou por duas vezes. Atirou.

O final do conto

O Lopo, então, saltou ao caminho, regressou a casa pelo Lenteiro, depois de atirar a caçadeira a um poço, e falou assim à mulher:
—A questão está perdida e o ladrão já foi prestar contas a Deus. Sigo agora para Fermentelos, a ver se o Grilo me arranja dinheiro e passo a fronteira .ainda esta noite. Embarco em Vigo. Não levo nada, para ir mais leve e ninguém desconfiar. Tu ficas aqui, muito calada, até eu dar noticias. Adeus, e não chores.



Análise

Humano e desumano


As pessoas que possui uma visão humanística de sociedade, que lutam e sonham por uma relação fraterna entre as pessoas, Isto é, a valorização da justiça, da dignidade, do respeito ao próximo, a consciência de cidadania e a propagação de valores em busca da melhora moral do ser humano.
Sente-se incomodado com a solução radical no término do conto. O protagonista de marginalizado transfigura-se em marginal, assassino, aparentemente frio.
Esse limite entre o humano, o racional, o consciente marido, o tranqüilo amigo, o vizinho ,o trabalhador ,o cidadão e de repente o homicida,o fugitivo, o marido ausente, o renegado social ... Até onde é o limite do humano e desumano em nós? O cidadão que virou assassino. Vingou-se, porém tornou-se um ser marginalizado e marginal. A justiça pelas próprias mãos nesse caso e na maioria das vezes é
incompatível com o humanismo e acaba descambando para a barbárie.

Inegável a culpa do Estado através dos seus agentes, que omissos ou promíscuos em suas funções,colaboram para o atraso das relações sociais e a deturpação da dignidade humana.
Temos um conluio de valores deturpados,para a felicidade das pessoas como : ganância e mentira, corrupção,crimes, que não findou no assassinato. A violência em suas múltiplas formas. A esposa separada do marido é um exem
plo de violência.



Traços marcantes


Os Personagens de Miguel Torga são humildes, porém não são subservientes. O Lopo mesmo sofrendo uma revolução interior , não demonstra o seu estado de espírito a ninguém. Almoça,cumprimenta as pessoas no caminho, janta,dorme...e mata o desafeto.



Regionalismo


Retrata o interior de Portugal, região norte do país. Carvas e seus arredores. Era inverno,mês de janeiro. No campo lexical, temos vários termos da região.
Vai uma cigarrada? ,
... respondeu a todas as pessoas que encontrou e o salvaram, e em Lobrigos, seco dos fumos da raia, bebeu um quartilho, sem que o taberneiro desse conta de qualquer nuvem a turvar-lhe o semblante.
— Então adeus, ti João!
— Adeus, Manuel. Vais-te chegando ao borralho?
Esse conto mesmo sendo regionalista, possui características universais. Vejamos a seguinte correlação entre esse conto de 1941, que retrata a,região norte de Portugal e a realidade do interior do nosso Pará.

Quantos agricultores passaram e passam por situação parecida,nas terras amazônicas, que são griladas por grandes latifundiários,com a conivência de donos de cartórios e diversas autoridades municipal,estadual e federal.
O pequeno Posseiro é expulso da terra , enquanto o grileiro expande sua documentada propriedade, ou as
vende aos grandes bancos e multinacionais. A sede do poderoso na sua ganância, ausência e corrupção do Estado, gera violência e atraso social em qualquer lugar do mundo.


Temática : A violência ( Os limites da justiça )


a) A violência do ganancioso, que já tem muito e quer mais ,independente da ética, do certo, do justo. Personificado no conto pelo Dr Casimiro.
b) A violência do Estado, personificado na justiça que não é justa.Que é corrompida pela força do poder econômico. Não cumprindo sua função social para qual foi criada.
c) A violência de um trabalhador ,que ao ser injustiçado,revida com mais violência e perde a dimensão humana ao matar o semelhante.
Trabalhadores
Mesmo o Dr Casimiro como o Manuel Lopo, todos são trabalhadores características dos personagens dessa região


FRAGMENTOS DO TEXTO PARA LEITURA


- Então perdi?!
- É como dizes.
- Custas e tudo?
- Tudo.
- Bem, pronto, não se fala mais nisso. E muito obrigado. O outro já saberá?
- Não. A notícia só lhe deve chegar de aqui a dois ou três dias. Eu soube-a particularmente.
- Então dou-lha eu...
O velho dr. Canavarro parou de embalar o bloco e fitou o Lopo. Depois, calmamente, perguntou-lhe:
- Tu não estás de mal com ele?
- Estou, mas que tem lá isso? As pazes fazem-se depressa. Ganhou, que hei-de eu fazer? Digo-lho...
- Bem, arranjai-vos lá. Quarta ou quinta da semana que vem., aparece, para se ver quanto deves. Sabes que a justiça não perdoa...
- Há tempo...
- Olha que eles gostam pouco de esperar
- Esperam...
A chegada em sua casa , omitindo o fato diante de sua esposa


- Já vieste?! - admirou-se ela, ao vê-lo chegar tão cedo.
- Vim... - respondeu, naturalmente. - Arranjei o que tinha a arranjar apenas cheguei, que ficava lá a fazer ?
- E então? Que disse o advogado?
- Ainda não sabe nada. A tarde desceu serena, a esfriar de hora a hora e a levedar um segredo profundo, calmo, de toda a natureza.
- Boa noite!
A Rita ficou a cirandar pela casa, e quando se foi deitar já o encontrou a dormir, tão imóvel e repousado no seu canto que nem a sentiu. Ao romper do dia, como habitualmente, ergueu-se ele primeiro. Lavou-se, tirou da arca a costumada côdea de pão, matou o bicho com aguardente, e foi à sala buscar a arma.
- Vou dar uma volta.
- Hoje?! Cuidei que escavavas o bardo...
A decisão de fazer justiça com as próprias mãos.

Agachado e embrulhado no varino, a crucificar o presente em nome do futuro, o senhor Casimiro lá continuava no seu afã de impor ao sono das cepas um despertar fecundo. Tanto empenho punha no trabalho que nem dava conta do que se passava à volta. E foi preciso o Lopo gritar duas vezes para que sentisse ruído e se erguesse a ver o que era.
- Sou eu - disse-lhe então o Lopo, direito em cima do muro, com ele já no ponto de mira.
- Sou eu que lhe trouxe este recado da Vila...
O tiro partiu, o podador caiu de bruços sobre a videira, e o sol por detrás dos montes começou a tentar encher o dia de inverno de uma luz doirada de primavera.O Lopo, então, saltou ao caminho, regressou a casa pelo Lenteiro, depois de atirar a caçadeira a um poço, e falou assim à mulher:
- A questão está perdida e o ladrão já foi prestar contas a Deus. Sigo agora para Fermentelos, a ver se o Grilo me arranja dinheiro e passo a fronteira ainda esta noite.
Embarco em Vigo. Não levo nada, para ir mais leve e ninguém desconfiar. Tu ficas aqui, muito calada, até eu dar notícias. Adeus, e não choreS

7 comentários:

  1. seu material esta muito bom,me ajudou a entender o enredo e o que queria transmitir realmente.obrigada q deus t ilumine.....

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  2. muito bom mesmo essa analise...esta me ajudando bastante.

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  3. otimo professor tu és !

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  4. adoro seus comentários, vc me ajuda pra caramba.Obrigaada!

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  5. adorei a postagem....parabéns!

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  6. prof.. vc tá de parabéns,pq tá ótimo esse blog.

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  7. e. adorei esta análise, muito bem elaborada, vc está de parabéns professor.

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